Após uma catástrofe que matou milhões de pessoas, uma fenda se abre entre as dimensões e as cidades passam a ser assombradas por fantasmas. Verônica não passa um dia sem ver um fantasma, mas eles não a assustam. Porém, os fantasmas estão ganhando força e começam a aparecer com muito mais frequência. Ela e seu colega de classe Kirk, investigam por quê e descobrem uma história sinistra: August, seu professor de história, não se conforma que a sua filha não voltou do mundo dos mortos como fantasma e acha que para isso acontecer ela precisa primeiro se apossar de um corpo, e que Verônica é a pessoa certa para abrigar o espírito da filha. Mesmo que esteja errado, que mal há em criar mais um fantasma, se já existem tantos!

Algum tempo atrás, eu li ANNA VESTIDA DE SANGUE, um dos livros mais empolgantes e divertidos do ano passado (resenha, AQUI). Nele, acontece um relacionamento entre um garoto que caça assombrações e uma menina fantasma, além de muita ação. CIDADE DOS FANTASMAS faz parte da mesma premissa, mas o resultado, embora agrade, não é tão bem executado.

Vou tentar explicar: todos os fantasmas aparecem sempre na mesma hora, todos os dias, e executam as mesmas ações por alguns segundos apenas. Por exemplo, um aparece de manhã na mesa da cozinha, abre o jornal, toma um café e desaparece. Outro, aparece subindo os degraus de uma varanda, bate na porta e desaparece. E assim por diante, sempre igual. Isso acaba tirando um pouco da surpresa, uma vez que o leitor sabe, de antemão, que eles não atacam e nem representam um perigo para os personagens principais.

Verônica, a personagem principal, se apaixona por Brian, o fantasma de uma garoto que aparece todas as manhãs no seu banheiro. Ele se penteia olhando para o espelho, olha para trás e desaparece. Mas Verônica não consegue criar um laço afetivo com ninguém que esteja vivo.

Kirk, um dos colegas de sala de Verônica, é apaixonado por ela, e os dois começam um namoro. Juntos, eles tentam descobrir por que August, um dos professores, tem fixação por Verônica e qual a ligação dele com a morte de uma garota, cujo fantasma aparece sempre na porta da frente da casa dele.

Mesmo Kirk sendo um garoto amoroso, corajoso e presente, Verônica não cria afeição suficiente por ele, ela o repele e não consegue explicar por que faz isso. Em certo ponto, pensei que fosse por Brian, mas isso nunca fica muito claro na história. Essa incerteza, acaba criando uma certa antipatia por Verônica, o que diminui o prazer da leitura.

Alguns capítulos são narrados por Brian, o garoto fantasma do banheiro, e essas partes são as mais interessantes da história. Infelizmente, são poucas. As partes da investigação de Kirk e das coisas que ele faz para tentar descobrir o plano de August e salvar Verônica, também entusiasmam, mas todas elas são enfraquecidas exatamente pela indiferença da personagem principal.

Mas notem que escrevi enfraquecidas, o que não quer dizer que sejam ruins. Acho que grande parte da culpa de eu não ter gostando tanto de CIDADE DOS FANTASMAS, reside na leitura prévia de ANNA VESTIDA DE SANGUE. É difícil não fazer comparações com um livro que acerta em tudo o que este não consegue, principalmente na composição dos personagens e na ameaça dos fantasmas. Se eu não tivesse lido Anna, confesso que teria gostado muito mais.

Mas em uma resenha, não posso fazer comparações. Preciso avaliar a obra por suas próprias qualidades. E sendo bem objetivo, apesar de Verônica ser o ponto fraco da história, preciso dizer que CIDADE DOS FANTASMAS é uma leitura que consegue prender, que irá agradar, e muito, aquele leitor que gosta do gênero.


AVALIAÇÃO:


AUTOR: Daniel Waters
TRADUÇÃO: Denise de Carvalho Rocha
EDITORA: Jangada
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 304


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